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ARTIGO

A Acupuntura

Publicado em 18 de junho de 2018

Acupuntura: picar para aliviar

Ramo da medicina tradicional chinesa, a acupuntura não ficou congelada no passado. Ela é objeto de pesquisas e avaliações médicas e comprova de maneira científica sua eficácia em muitas indicações.

De sua gravidez, Isabelle guarda uma lembrança misturada. Embora seu bebê estivesse muito bem desenvolvido, foi sua mão direita que a fez sofrer. Surpreendente? Não tanto, pois a síndrome do túnel do carpo é comum em mulheres grávidas. No início do terceiro trimestre, Isabelle sentiu primeiro dormência e formigamento entre os dedos e o pulso, depois uma dor verdadeira, complicando o simples ato de pegar objetos do cotidiano e entrecortando as noites de sono. O problema é que ela não poderia tomar anti-inflamatórios durante a gravidez. “Meu clínico geral me aconselhou a consultar um de seus colegas que praticava a acupuntura”, afirmou ela. Após duas sessões, o desconforto diminuiu consideravelmente e minhas noites de sono foram mais restauradoras. E isso aconteceu graças a apenas algumas agulhas plantadas em volta do meu cotovelo”.



Provas formais de eficácia

Essas “poucas agulhas” representam o legado de dezenas de séculos de prática. A acupuntura é um dos ramos da medicina tradicional chinesa, junto com a fitoterapia, a dietética, o qi gong e o tuina (uma espécie de osteopatia). “Embora fundamentada em princípios muito antigos que podem parecer fora de moda, ela é objeto de muitos trabalhos baseados em técnicas científicas modernas”, afirmou o Dr. Jean-Marc Stephan, coordenador da especialização interuniversitária de acupuntura obstétrica e de iniciação à acupuntura médica da Faculdade de Medicina de Lille 2. Sua eficácia em muitas indicações já é amplamente apoiada por estudos randomizados, estudos clínicos e meta-análises”. É esse, especificamente, o caso de muitas patologias relacionadas à dor. E, especialmente, a enxaqueca, como comprovam os resultados de uma ampla análise da rede independente Cochrane, composta por pesquisadores e profissionais de saúde, especializada na análise rigorosa de dados médicos. “Esse trabalho apresenta comprovações formais de uma eficácia maior que a do placebo e até mesmo de alguns medicamentos na prevenção e no tratamento de crises”, afirmou o Dr. Stephan. O mesmo vale para as neuropatias periféricas induzidas pela quimioterapia, de que sofrem os pacientes de câncer. Por exemplo, algumas parestesias (distúrbios sensoriais que resultam em sensações insuportáveis de dormência e formigamento) podem levar à interrupção do tratamento.


Para evitar esse resultado, a acupuntura mostrou, também nessa área, que sabia ser eficaz. “Eu tenho muitos pacientes com câncer”, afirmou o Dr. Stephan. Todos eles foram encaminhados a mim por seus oncologistas, por meio da AFSOS (Associação Francófona de Tratamento de Apoio do Câncer). Com a acupuntura, é possível modular e controlar as dores. Ela também permite tornar cais toleráveis as náuseas, as ondas de calor ou a leucopenia (déficit de leucócitos, uma espécie de glóbulos brancos, NDLR). Em seu relatório “Estratégia da OMS para Medicina Tradicional 2014-2023”, a Organização Mundial de Saúde coloca os efeitos adversos da quimioterapia e da radioterapia em primeiro lugar na lista de doenças para as quais a acupuntura comprovou sua eficácia em estudos controlados. Entre as outras dezenas de indicações estão muitos tipos de dor de várias origens: dentária, reumatológica, nociceptiva... E o mesmo vale para a osteoartrite do joelho, dor ciática, artrite reumatóide, gastrite ou dor no pescoço, além de outros distúrbios muito variados, como enjoos matinais em mulheres grávidas, rinite alérgica ou mesmo “cotovelo de tenista”.



O papel do tecido conjuntivo

Como tudo isso é possível “simplesmente” com a implantação de agulhas finas (menos de 0,2 mm de diâmetro) sob a pele? Esqueça tudo o que você ouviu sobre a acupuntura. Longe de se limitar a uma disciplina empírica e tradicional que pode parecer obsoleta, a acupuntura no século XXI é, sem dúvida, científica. “Os meridianos não existem”, afirmou o Dr. Stephan. Esse sistema que permeou o pensamento chinês é, na realidade, como constelações traçadas de maneira imaginária". As estrelas (os pontos da acupuntura) são reais, mas as constelações (os meridianos) são apenas construções fictícias. Quanto ao mecanismo explicativo da ação terapêutica, várias hipóteses foram apresentadas. Uma delas, no entanto, parece se destacar: “O estímulo do tecido conjuntivo por meio dos fibroblastos provoca uma cascata de reações”, explicou o Dr. Stephan. Isso recebe o nome de mecanotransdução. Nesse esquema, os pontos da acupuntura correspondem às zonas de convergência do tecido conjuntivo.”


Ficou tentado por essa medicina complementar? Não corra para procurar o primeiro consultório, e dedique algum tempo para verificar sua seriedade. Trata-se, acima de tudo, de uma disciplina médica que deve ser exercida por um profissional de saúde: somente médicos, dentistas e parteiras podem praticar a acupuntura.

  • 90 a.C.

    Primeiras indicações de uso da acupuntura.

  • Século XVII

    Introdução de acupuntura na Europa.

  • 1822

    A acupuntura foi proibida pelo imperador chinês.

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