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ARTIGO

Crioterapia

Publicado em 1º de outubro de 2017

Todos nós, um dia, colocamos uma bolsa de gelo num hematoma para conter sua extensão. Esse reflexo é a crioterapia, uma prática que consiste em explorar o frio com o objetivo de alívio, ou seja, terapêutico (especialmente em Oncologia). A crioterapia para a dor é um método que parece comprovado, desde que você esfregue com frio extremo.

Gostar da idea de enfrentar, em roupas de baixo ou maiôs, temperaturas da ordem de -110 °C é um dos efeitos bastante surpreendentes da crioterapia. São oito horas. Lá fora, o tempo está gelado. Natacha, de 40 anos, e Marc, de 51, estão ansiosos para entrar no que parece ser um chuveiro no centro parisiense Cryotep, onde seus corpos (exceto a cabeça) estarão expostos a temperaturas de até -150 °. « O choque térmico que ocorre coloca em alerta o organismo que, para se defender, desencadeia reações fisiológicas », explica Antoine Boutin, responsável pelo centro.


Dor causada pelo tratamento

Há dois anos, Valérie Georges administra o Centro de Crioterapia de Corpo Inteiro Kemijoki em Rennes: « A crioterapia provoca um efeito analgésico e anti-inflamatório, o que explica por que é indicada contra dores musculares, mas também contra tendinites, lombalgias, ciática, reumatismo, osteoartrite, etc. »
Um estudo clínico recente (1) nos Estados Unidos também explora o uso da crioterapia no controle da dor causada por alguns tratamentos. Esse estudo mostra que a aplicação de gelo no punho permite diminuir a dor durante uma punção arterial.


Previdência Social: sem cobertura

Na França, a crioterapia foi utilizada pela primeira vez em janeiro de 2009 pelo serviço médico do Instituto Nacional do Esporte, Especialização e Desempenho (Insep). O objetivo era permitir que os atletas de ponta se recuperassem mais rapidamente. Embora alguns hospitais, desde então, tenham começado a usar cabines de crioterapia como uma possível alternativa ao controle da dor, essas iniciativas ainda são raras. Daí o sucesso dos centros de crioterapia que, nos últimos anos, foram abertos em todo o país. E sua natureza comercial não impede que cada vez mais médicos encaminhem seus pacientes para essas instalações. « Estamos trabalhando com centro anti-dor de Rennes, confirmou Valérie Georges. As prescrições são feitas a conta-gotas, mas isso está começando a mudar. » Mas, como muitos sabem, mesmo com uma receita o paciente não será coberto pela Previdência Social.


Esclerose múltipla

Fibromialgia, artrite reumatóide, espondilite anquilosante... Valérie Georges assegura que, para todas essas doenças crônicas e muitas, vezes dolorosas, o frio extremo (e seco) também pode trazer benefícios. E a lista não parava por aí: a crioterapia também teria um efeito relaxante muscular. Como resultado, a vida cotidiana de alguns pacientes que sofrem de esclerose múltipla ficou mais suportável. É o caso de Valérie, 46 anos, diagnosticada em 2004. « Eu ficava muito cansada, conta. Com minhas deficiências na mão direita, não conseguia amarrar meus sapatos nem escrever. E minha perna esquerda não me permitia andar ou subir escadas. » Incentivada por seu fisioterapeuta, ela decidiu bater à porta de um centro de crioterapia e se inscreveu para um tratamento de vinte sessões. No começo, ela duvidava. O frio a estressava. Ele persistiu e, hoje, agradece: « Eu me sinto muito mais leve, menos desajeitada. Antes, eu estava totalmente anquilosada. » Ela voltou a caminhar e, hoje, passa novamente, sem ajuda, o aspirador de pó. O robô que seu neurologista conselhou que ela comprasse terá que esperar!



Questionário médico

As sessões duram três minutos. Mãos, pés e orelhas devem ser protegidos quando se trata de uma imersão total numa sala na qual cabem até 4 pessoas. Os clientes devem responder a um questionário médico. « Problemas cardíacos, problemas respiratórios e problemas vasculares profundos estão entre as contra-indicações», enumera Valérie Georges. A Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos recomenda, é claro, que sejam tomadas todas as precauções necessárias para evitar os riscos relacionados ao frio extremo. Nenhum incidente, até agora, foi lamentado no Hexágono. Embora saudável, Valérie Georges não é a última a abrir a porta da sua câmara fria: « Quando saio de lá, me sinto zen! » O chefe do centro de crioterapia está convencido de que a crioterapia também tem um impacto favorável sobre a ansiedade, o estresse e problemas de sono.(1)

  • -110°C

    temperatura média de uma sessão de crioterapia

  • -150°C

    a temperatura mais baixa de uma sessão

  • 1978

    É desenvolvida a primeira câmara de crioterapia

  • 2009

    Primeiro uso da crioterapia na França

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