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ARTIGO

Fitoterapia

Publicado em quarta-feira, 22 de março de 2017

Apoiar melhor os tratamentos graças à fitoterapia

A fitoterapia é uma prática ancestral. No entanto, ela ainda não está muito desenvolvida no hospital. Em consultórios particulares, por outro lado, a demanda se multiplica. Os pacientes vêm buscar alívio e curar ferimentos relacionados ao tratamento.

Uma tisana com tomilho para combater um resfriado forte, uma infusão de lavanda para acalmar uma enxaqueca? Usada desde a Antigüidade, a fitoterapia consiste em tratar com os princípios ativos de plantas e ervas medicinais, e não com medicamentos. Mas essa medicina natural não se destina apenas a curar doenças “leves”. Ela também pode ser um aliado de peso no contexto de tratamentos pesados. Chantal, 63, passou por isso. Com câncer de mama diagnosticado dois anos atrás, ela optou por recorrer à medicina herbária e não se arrependeu. “Eu precisava disso para lidar com os efeitos colaterais dos tratamentos”, afirmou ela. Náuseas, perda de cabelo, insônia, perda de memória, dor difusa... A fitoterapia me trouxe um grande alívio que eu não havia encontrado antes com outros tratamentos alopáticos ou alternativos.



Esta ação benéfica é bem conhecida pelo fitoterapeuta Jean-Christophe Charrié. Esse clínico geral, autor de "Se soigner toute l'année au naturel” (ed. Prat), mantém há muito tempo um consultório de fitoterapia no Hospital La Rochelle. Hoje, ele garante que a fitoterapia “permite implementar tratamentos de apoio e acompanhamento para otimizar terapias pesadas”. E sua atividade particular não desmente isso: os pacientes em tratamento de câncer vão consultá-lo em grande número. “As plantas agem intensamente nas dores associadas aos tratamentos."



Diversas virtudes

Antinevrálgicas, anti-miálgicas, anti-reumáticas, anti-inflamatórias, antiespasmódicas, as plantas podem realmente agir sobre a dor, permitindo atrasar o uso de analgésicos mais fortes e até mesmo mais fracos, como a aspirina ou o paracetamol. "E se o seu poder for insuficiente, elas podem ser associadas com analgésicos sintéticos: isso permite evitar o uso de analgésicos em dose integral no início, limitando, assim, o potencial iatrogênicoi desses últimos”, destaca o Dr Charrié. Propriedades que os impõem desde o início como um verdadeiro tratamento assistencial, comparável a práticas alternativas já reconhecidas (homeopatia, sofrologia, acupuntura etc.). “Elas agem no nível certo entre "não fazer nada" e "fazer o máximo".


Algumas plantas interagem diretamente com o humor, ajudando a melhorar ansiedades, estados pré-depressivos ou depressões não-psiquiátricas. "Antes de recorrer à fitoterapia, eu tinha muitos distúrbios de humor que me colocavam em todos os meus estados: às vezes eu não me reconhecia", lembra-se Chantal. A fitoterapia ajudou a aliviar minhas tensões internas, mas também minha ansiedade relacionada aos tratamentos. "As infusões de passiflora, valeriana e espinheiro, são, assim reconhecidas pela sua eficácia no tratamento de estados nervosos e de ansiedade, sendo a passiflora valorizada até mesmo para esse uso pela Organização Mundial da Saúde."


Adaptar-se ao paciente

O alburno de tília selvagem, a urtiga, a valeriana, o dente-de-leão, o rabanete preto, a groselha preta... É ampla a gama de plantas que podem diminuir a ansiedade ou aliviar a dor relacionada ao tratamento de doenças graves. Mas isso funciona com todos? A pergunta é difícil porque o tratamento fitoterápico nunca é padronizado. "Sua eficácia depende da capacidade do médico de entender as disfunções específicas do paciente e a capacidade do corpo de reagir ao tratamento dado", explicou o Dr Charrié. Essa complexidade levou ao diferimento das plantas pela Previdência Social em 2007: seu atendimento médico foi considerado insuficiente.

No hospital, as consultas de fitoterapia ainda são raras. Sensibilizada para este problema, a associação de pacientes Phyto 2000 exige, assim, que mais médicos atendam à crescente demanda. Por seu turno, a Simepi, Sociedade Internacional de Medicina Endobiológica e Fisiologia Integrativa, da qual o Dr. Charrié é co-fundador, está empenhada em aumentar os treinamentos para médicos voluntários. Na verdade, "muitos pacientes, não encontrando médicos formados, recorrem a terapeutas que carecem de formação suficiente para fazer um diagnóstico médico e construir um projeto de tratamento eficaz", lamenta o especialista. A poderosa ação das plantas exige, de fato, maior vigilância: somente um conhecimento profundo de suas propriedades permite evitar interações prejudiciais durante os tratamentos.



iIatrogênico: refere-se a um distúrbio, a uma doença, causado por um ato médico ou por uma medicação, mesmo na ausência de erro do médico.

  • 3000 anos

    av. a.C., o primeiro texto conhecido sobre medicina vegetal foi gravado pelos sumérios

  • 2007

    As plantas passaram a não ser reconhecidas pela Previdência Social

  • A tisana

    usa uma parte específica da planta para preservar as propriedades dela

  • A tintura

    é uma forma pastosa, em pó ou líquida com alta concentração de ingredientes ativos

  • Pós e cápsulas

    mais modernos, contém a íntegra da planta

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